
A recepção do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, a dirigentes do futebol mundial nesta segunda-feira (26), no Palácio do Planalto, vai além de um gesto protocolar. O encontro para tratar da Copa do Mundo Feminina FIFA 2027 simboliza uma escolha política: usar o esporte como ferramenta de projeção internacional, inclusão social e enfrentamento de desigualdades históricas.
Ao destacar o potencial do Mundial feminino como marco para o futebol brasileiro, Lula sinaliza que o evento deve deixar legado que ultrapasse os estádios. A presença do presidente da FIFA, Gianni Infantino, do comando da CBF e da Seleção reforça o peso institucional do compromisso assumido pelo Brasil ao sediar uma competição que ainda luta por espaço, visibilidade e investimento em nível global.
Mais do que celebrar o esporte, o discurso presidencial aponta para uma agenda social clara. Ao associar a Copa do Mundo Feminina ao combate à violência contra as mulheres e à inspiração de meninas e meninos, o governo tenta transformar um megaevento em plataforma de conscientização e políticas públicas. É uma aposta que dialoga com a imagem que o Brasil busca reconstruir no cenário internacional: a de um país que alia grandes eventos à responsabilidade social.
O desafio, no entanto, será transformar a retórica em ações concretas, garantindo que o Mundial de 2027 resulte em investimentos permanentes no futebol feminino, na base esportiva e na igualdade de oportunidades. Se bem conduzida, a Copa pode se tornar um divisor de águas. Caso contrário, corre o risco de ser apenas mais um grande evento sem legado duradouro.

